Fórum Social Temático 2013:
“processo” às avessas!
Na atual conjuntura percebemos a necessidade de
explanação e manifestação sobre os últimos acontecimentos ligados ao Fórum
Social Temático (FST) 2013 em POA. A partir desse momento faremos um
breve mergulho na história do Fórum Social Mundial (FSM) para que assim
possamos analisar os últimos fatos ocorridos na capital ligando os poderes
públicos e os movimentos sociais.
Desde o ano de 2001 ocorre o Fórum Social Mundial (FSM), evento criado na cidade de Porto Alegre-RS que surge da inquietação dos movimentos sociais e organizações de esquerda em relação à realidade socioeconômica do mundo, tendo como um de seus principais objetivos o de ser o contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça). Sendo este último o grande encontro dos blocos capitalistas dominantes do planeta. Além disso, tem como plano elaborar alternativas para a transformação social. Muitas dessas decisões e alternativas foram e são utilizadas pelos últimos governos de esquerda na América Latina, demonstrando assim sua força e eficácia. Dessa maneira, o FSM tem como característica ser contra-hegemônico, anticapitalista e altermundialista, organizado por os mais variados movimentos sociais e por várias outras organizações continentais ligadas às esquerdas. Também, é conhecido pelo seu famoso lema: Um outro mundo é possível!
Os fóruns são realizados anualmente. Os três
primeiros foram em Porto Alegre. A partir de então se decidiu que seria itinerante, devendo ser sediado
em várias cidades diferentes a cada ano. O Fórum se realizou várias vezes
(em 2001, 2002, 2003 e 2005), no Brasil, na
cidade de Porto Alegre; em 2004, na Índia; em 2006 foi policêntrico (Caracas,
Karachi e Bamako); em 2008 foi descentralizado. Em 2007 ocorreu no continente Mãe, África, em Nairóbi Quênia. A nona
edição do Fórum novamente teve lugar no Brasil, em Belém, capital
do estado do Pará. A décima edição do FSM retorna a POA e região
metropolitana em comemoração aos dez anos do evento. No ano de 2011, o fórum
ocorre em Dacar (Senegal).
Em 2012, por motivos cronológicos
e de descentralização como já ocorrera anteriormente é criado o Fórum Social
Temático (FST). O FST é um evento altermundista organizado por um grupo de
ativistas e movimentos sociais ligados ao processo do Fórum Social Mundial. O
tema de 2012 foi: Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental. O
FST 2012 se propôs ser um espaço de debates preparatórios para a Cúpula dos Povos,
reunião alternativa à cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável, a Rio+20, que aconteceu em junho de 2012, no Rio de Janeiro. O FST
2012 aconteceu em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo.
Paralelamente, ocorreram o Fórum Mundial de Educação, o Fórum Social Mundial da
Saúde e o Fórum Mundial Mídia Livre.
O FST 2012 foi organizado por um
grupo de movimentos e organizações sociais brasileiras e internacionais com
apoio do Conselho Internacional do FSM e que contam com o apoio dos Governos
Brasileiro, Gaúcho, da UFRGS, Assembléia Legislativa do RS e das prefeituras
das quatro cidades anfitriãs. Nomes
como Boaventura de Sousa Santos, Ignacio Ramonet, José Graziano, Emir Sader,
Gilberto Gil e João Pedro Stédile, entre outros, marcaram presença no evento.
Grandes manifestações foram feitas e debatidas, entre elas o caso da retirada
das famílias de forma brutal em Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos -
SP pelo governo do Município e Estado, além dos manifestos contrários a
construção da Usina de Belo Monte.
No final do ano de 2012, mais especificamente em
novembro, ocorreu o Fórum Social Mundial Palestina Livre, no qual se debateu a
libertação do povo palestino e o reconhecimento do Estado, além da demarcação
de seu território. Todavia, o Ministério Público e a Prefeitura de Porto Alegre
que colaboravam com o evento começaram a ser pressionados por grupos israelitas
“sionistas” da capital gaúcha, para que os poderes públicos deixassem o
encontro, o que acabou acontecendo “em cima da hora”. A Prefeitura manteve
somente alguns espaços destinados aos debates.
Esta conjuntura fez com que o Fórum Social Temático
2013 tomasse rumos totalmente distintos dos quais o evento se propõe. A agenda
do FST 2013 não esta interligada com a agenda do FSM que ocorrerá em março na
Tunísia. Neste, a principal discussão será a crise econômica mundial, enquanto
no FST a discussão será: Democracia, cidades e Desenvolvimento sustentável.
Aliás, este último tema já foi discutido no FST 2012 e na RIO+20! A realidade é
que o FST passa por um processo de institucionalização por parte da Prefeitura
da capital gaúcha.
O “interessante” de tudo isso é que os setores da
direita entre eles os próprios grupos israelitas, que sempre foram contra o
fórum por questões já citadas, agora começam a se “apropriar” do FST. Será que
mudaram de ideia, e perceberam que estavam errados? É claro que não! Pelo
contrário, percebendo que o fórum trazia e traz um grande público à cidade,
fazendo com que a circulação de capital cresça. Aproveitando-se disso, a
Prefeitura criou um comitê à parte do comitê oficial do FSM,
onde reuniram desde grupos empresariais até a maçonaria.
Diante deste contexto muitos movimentos sociais e
ONGs estão boicotando o FST 2013, entre elas a Marcha das Mulheres e a CUT,
conforme as últimas notícias divulgadas: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2013/01/cut-deixa-organizacao-do-forum-social-2013-e-diz-que-evento-esta-descaracterizado. Da mesma forma, algumas entidades do movimento estudantil
estão confirmando o boicote ao encontro!
O FSM que tem caráter anticapitalista e
antineoliberal está se tornando um espaço que não mais representa o campo
popular, mas sim os mandatários do capital.
Diante deste cenário, através de Assembléia Geral
realizada no dia 23/01/2013, os estudantes da FURG decidiram em se juntar aos
movimentos sociais que se indignam com a forma de realização do FST 2013 e se
retirar da participação do evento.
Entendendo o Movimento Estudantil como Movimento
Social, entendendo o FST como um espaço também nosso, o DCE FURG resolve por
boicotar o FST 2013!
Ressalta-se ainda que tal boicote se dá com o
intuito de mostrar às instituições organizadoras que os movimentos sociais não
se calarão diante dessa apropriação do FST. Ao mesmo tempo, entendemos que as
esquerdas da América Latina, em conjunto com os movimentos e atores sociais
devem se reunir para que juntos resgatemos a essência do Fórum Social Mundial
Temático.
A gestão Amanhã Será do DCE-FURG apresenta esta
carta como forma de conscientização, de indignação e principalmente como a
mostra de que não comporemos espaços simplesmente para ocupar os espaços. Não
coadunamos com eventos que objetivam interesses políticos e econômicos de
partidos políticos, de governos ou de organizações civis de ideais hegemônicos.
Por fim, nos somamos à luta pelo resgate do
FST como um evento organizado pelos movimentos sociais, de forma autônoma e com
objetivo transformador, afinal, “um mundo melhor é possível”!
À LUTA!
GESTÃO AMANHÃ SERÁ – DCE/FURG
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